quarta-feira, 12 de julho de 2017

Tirando a poeira...

A madrugada já vai alta e eu deveria estar descansando, mas senti pulsar, de repente, aquele velho desejo de escrever.
Nem sei se alguém ainda passa por aqui. Mas andei relendo algumas publicações, e deu saudade de todos vocês, da interação, das madrugadas em claro e das pessoas bacanas que conheci através deste blog.
Quando comecei a escrever aqui, em 2009, eu era uma adolescente tardia, insegura e tímida, apesar dos meus 24 anos. Usava as palavras como meu escudo contra o mundo.
Quase uma década depois, e cá estou.
Se me dissessem que hoje eu estaria vivendo na cidade que sempre sonhei, ao lado do homem que sempre esperei, eu diria que era impossível caber tanta felicidade em uma só vida. Mas a vida sempre foi generosa comigo, apesar da minha ingratidão e constante insatisfação.
Como boa pisciana, sempre fui inquieta, curiosa, emocional. Hoje, me sinto um pouco mais realista, pé no chão, decidida.
Mudei drasticamente de profissão e estou investindo na carreira, empreendendo meu próprio negócio, controlando minha própria agenda, meu próprio dinheiro. E isso me enche de orgulho.
Não tenho mais nenhuma amiga próxima, de quem possa emprestar o ombro para chorar em dias mais pesados, mas, em contrapartida, tenho os olhos doces da minha pequena Alice e os braços carinhosos do meu esposo ao fim de cada dia (parênteses à parte, eu não poderia ter escolhido melhor companheiro).
De resto, não tenho mais tempo livre para correr, escrever ou fazer tantas coisas das quais eu gosto, no entanto, do outro lado da balança, tenho tantas outras coisas boas que me sentiria ingrata se fosse reclamar...
Outro dia, fomos, eu e o T., a um show do Midnight Oil (uma banda australiana de rock). Fazia tanto tempo que não tínhamos um programa só nosso, que eu fiquei sinceramente emocionada.
Ser mãe é uma das coisas com as quais eu mais sonhava na vida e a que tem me ensinado e testado a cada dia. Nunca pensei que fosse tão difícil. Nunca pensei que seria doloroso, cansativo, estressante. Nunca imaginei que me traria tantas lágrimas (de dor, de cansaço, mas também de felicidade, de orgulho, de amor). Ter que tomar as rédeas da vida de um serzinho indefeso, que não é você, mas é parte de você, é uma responsabilidade sem tamanho. Decidir o que ele vai vestir, calçar, comer. Ter que se preocupar com horários, não esquecer de remédios, de escovar os dentinhos, estar atenta para evitar qualquer desastre doméstico, passar noites em claro, enfim... tantos detalhes que a gente nem sonha quando pensa em um bebê rosadinho, de pele macia e sorriso gostoso...
Sinceramente, eu pensava que ser mãe fazia parte do meu ser. Sempre me achei tão maternal!
Mas assim que peguei minha filha no colo pela primeira vez, eu senti que teria muito o que aprender.
E assim tem sido.
No fim deste mês, ela completa 2 anos. E eu decidi fazer uma festinha familiar, na garagem de casa. Quero comemorar esta data com os meus. Quero festejar a vida e a saúde da minha pequena, mas também os meus dois primeiros anos como mãe.
Todos nós merecemos.

Mas e vocês? Por onde andam?
Deem um alô para mim. Ficarei bem feliz. :)


Um comentário:

  1. Olá Michele

    Quanto tempo não é mesmo...
    Quantas mudanças...
    E filhos...
    Estes são as nossas melhores inspirações...

    Há tempos estava fora do blog...
    Publicando mais no face...
    No mais a vida estabilizou sem muitas mudanças...

    Abraço...
    Aluísio Cavalcante Jr.

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)