sexta-feira, 15 de maio de 2015

O quarto de azulejos- Tonho França

         Em "O quarto de azulejos", a poesia é concreta (não apenas pelo caráter imagético) mas, sobretudo, porque se concretiza/efetiva na proximidade com o leitor, com palavras que parecem “pular” da página (na excelente definição de Flora Figueiredo, “como se fossem malabares”).
            O formato poético é contemporâneo, em contraposição, o tom é saudosista e nos remete para um tempo em que o relógio velho (herança do avô), a caneta de pena e papéis amarelados, eram objetos preciosos.  É “sobre a nudez das paredes” (primeira parte do livro) que o eu – lírico lamenta um tempo que já não é, como se estivesse abrindo gavetas, tirando a poeira e o que já não serve mais, mas também sonhando, resgatando, refletindo: “-não passamos pela vida ilesos”.
            Em “Olhares para além do dia a dia” (segunda parte) aparecem pequenos “flashes”, cuja concisão, tão própria do nosso tempo, recebe uma forma visual e apresenta nova carga semântica: o cotidiano ganha vida.
            A meu ver, nesta obra, conservador e o moderno parecem se unir harmoniosamente, com técnica e maestria.

Dois poemas do livro (dentre os muitos que aprecio): 

            
Reflexos

Em alguma gaveta sei que guardei deus,
alguns sorrisos que não me servem mais,
talvez até o aroma de antigos amores

versos entre dobraduras de beija-flores.

Fotografias e lembranças amenas
convivem com o tempo estático...

Aqui na superfície dos meus olhos
tudo é cinza e infinito

insuportavelmente  infinito

            :

o vento sussurra.
Morrer?

- Já não é possível -

Rush

No coletivo,
mais só,
impossível.

(Tonho França)




Disponível para compra em: 



O QUARTO DE AZULEJOS
Gênero: poesia (Selo Lampejos)
Autor: Tonho França
ISBN: 978-85-8406-057-3
Formato: 14X21.
110 páginas em pólen bold.

Nenhum comentário:

Postar um comentário


"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)