quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

No ano daquele beijo #recomendo


Produzir ficção num contexto histórico real, por si só, já é uma tarefa ousada. Mas, Roberto Monteiro não se limitou a isso. Ele foi além, tocando nas feridas sociológicas, filosóficas e políticas. Seja através de Maria Clara, uma mulher à frente de seu tempo, que frequentava os salões da corte e discorria sobre assuntos diversos com figuras tiradas do cenário histórico (como a Princesa e Chiquinha Gonzaga) ou na pele de Gonçalves, um jovem homossexual, que assume um casamento de fachada, o autor, a todo tempo, provoca, instiga o leitor.

Em “No ano daquele beijo” cada personagem principal, em primeira pessoa, expõe sua vida interior e exterior, revelando suas motivações, suas experiências, seus planos para o futuro. Ciúme, fé, infidelidade, família, casamento, sociedade, progresso, desejo carnal e a paixão são evocados nesse livro.
As escolhas pessoais de seus personagens são dramáticas, dolorosas, obscuras. Mas, ao final, o autor mostra que é possível haver alguma luz no fim do túnel, uma possibilidade de “esperança, seja como for.”
A grande sacada do romance, a meu ver, foi dar a palavra a todos os personagens, direcionando o texto para a mensagem que deseja transmitir: “(...) somos todos tão diferentes, para o bem ou para o mal, mas somos. Completamo-nos nas faltas e nos excessos, portanto, a esperança reside na aceitação. Temos que entender que nem todo mundo pensa como nós pensamos, ou age como nós achamos que é certo agir.”
Um livro para ser lido, discutido, divulgado.
Recomendo.




Livro: No ano daquele beijo

Ano: 2012
Gênero: Romance
Páginas: 320

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