terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Direitos


Um dia inventaram que o Brasil precisava ganhar cara de país em desenvolvimento. Maquiaram a incivilidade do brasileiro. Foi aí que gestantes, velhinhos e portadores de necessidades especiais ganharam a preferência no transporte coletivo, no posto de saúde, na fila do banco e do supermercado.
É lei. É de direito. E o que é direito, a gente respeita.
Acontece que nem todo mundo que tem direito, é direito.
Tem muito torto por aí. 
Hoje mesmo, uma mocinha, empinando seu direito na barriguinha, abandonou a fila preferencial e se dirigiu até aquela em que eu e meu esposo estávamos. À nossa frente, um conhecido dela. Passou por nós sem ao menos pedir licença. 
Com uma banheira de bebê. Uma banheira, babadores, roupinhas, sapatinhos e mamadeiras. No total, mais de vinte itens. 
Não cedemos a vez. Não fomos consultados se podíamos ceder a vez. Não escutamos nenhum "com licença" ou "por favor". Nem nós, nem as outras pessoas da fila. Fomos simplesmente atropelados pela convicção de que "estou grávida e posso fazer isso", pelo direito de quem nasceu torto, pelo legado de um país em que a educação não é prioridade.

Um comentário:

  1. Infelizmente é assim mesmo. Os que se acham no direito normalmente não tem educação. Como as pessoas que ocupam toda a calçada se tornou coisa banal. Abraços. Carlos Medeiros...http://grandeonda.blogspot.com

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