quinta-feira, 2 de maio de 2013

Não tem preço e faz bem

Em julho do ano passado, com os ponteiros da balança lá no alto e a pressão arterial idem, resolvi seguir o conselho da Maela, aquela gata do balaio, e começar a correr. 
No começo, era um minuto correndo e meia hora sem fôlego. Com os treinos constantes (3 vezes por semana), já consigo intercalar a corrida com a caminhada e percorrer de 6 a 8 km por prática. 
Além dos benefícios para a saúde física, também notei um alívio psicológico. 
Como todos sabem, sou professora (por mais pouco tempo, espero) e enfrento todos aqueles problemas da profissão (o cansaço, a má remuneração, os fins de semana "perdidos", os alunos sem educação e blá, blá, blá, whiskas sachê).
É, portanto, durante a corrida que eu relaxo, ouço música, libero as energias negativas. Mas, sobretudo, encontro material para as minhas crônicas. 
Dias destes passei por um rapaz em uma cadeira de rodas que me fez ser grata pela saúde. Olhou-me com cobiça. Não eram minhas pernas que ele desejava, mas a minha capacidade de correr. Por dias, isso martelou em minha cabeça e serviu de incentivo para continuar com os treinos.
Na terça-feira, não pude deixar de rir com um rápido diálogo que acompanhei. Uma menininha, de no máximo 3 anos, andava de bicicleta com a mãe, enquanto eu corria.
Estava um pouco atrás delas, quando ouvi, numa fala enrolada:
- Ela mora no mesmo país que nós?
A mãe, rindo:
- Na mesma cidade, filha.
- Mas a cidade fica no mesmo país?
- Sim - disse a mãe gargalhando. 
- Que país a gente mora?
- Brasil.
- Eu conheço bem o Brasil?

Não pude escutar o resto, mas ri muito da esperteza da criança e achei que só isso já me valeu o exercício.

Tem coisas que não tem preço, mas fazem um bem danado.
Correr, por exemplo.

Um comentário:

  1. isso me lembrou de outro dia quando meu sobrinho de 6 anos me perguntou o que eu lia tanto na internet, eu expliquei que eram notícias e tal, então ele disparou: sobre o Santo Antônio? (o nosso bairro). Eu respondi: Não, sobre o mundo em geral. Aí ele disparou: mas você precisa ler sobre o Santo Antônio, onde você mora, você precisa saber o que acontece aqui também. :)

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)