quinta-feira, 2 de maio de 2013

Há muito tempo atrás...

Gosto de ler. Desde os clássicos literários, passando pelas revistas em quadrinhos, pelos best sellers e chegando até (em crises mais graves de abstinência de leitura) a etiqueta colada no chuveiro do banheiro. Mas, convenhamos. Autores como Nicholas Sparks são desestimulantes. Basta ler um livro e todos os outros serão dispensáveis. O autor segue a primitiva linha romântica da literatura brasileira de 1800: a superação de todos os problemas pelo herói para, ao final, concretizar seu grande amor. Se em 1820 a "Moreninha" de Joaquim Manuel de Macedo alcançou grande êxito, devemos levar em consideração o contexto em que a obra estava inserida (verificava-se o surgimento de uma vida cultural e as mulheres ricas e ociosas- principal público deste tipo de livro- dependiam dessas histórias de leitura rápida e descompromissada para discutir nos saraus da corte). 
Agora, seguir com este modelo ultrapassado, colocando em formas a nossa literatura, é, no mínimo, bloquear o potencial criativo e o aprimoramento desta arte.
Tenho dito.
(Michele Pupo- Licenciada e pós-graduada em língua portuguesa e Literatura- Licenciada em Língua Espanhola)

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)