terça-feira, 2 de abril de 2013

Engolindo a felicidade

Era uma vez dois ovos de chocolate branco sobre uma mesa. Por infortúnio, a dona deles era uma moça como todas as outras: adorava chocolate. 
Ela gostava tanto que bastou sentir o cheiro para se esquecer que queria ficar muito bonita. E para conquistar tal graça, haviam lhe ensinado as suas revistas, precisava ser magrinha, pequenininha, com uma cinturinha que podia ser enlaçada com apenas um braço.
Acontece que sua visão, seu paladar e seu olfato pareciam não concordar com isso e, juntos, trabalhavam até que a vontade ficasse deste tamanhão!
Foi aí que a moça começou a despir a embalagem como se fosse um amante.  (Clarice Lispector, diria, podem apostar).
Tirou a fita e o papel prateado, com voracidade, com desejo. Aproximo-o das narinas, cheirou-o.  Quebrou um pedaço e abocanhou, quase sem tempo de senti-lo derreter na língua. 
Mas não ficou simplesmente nisso.
Ela descobriu, estonteada e já no último "tequinho", que a felicidade, em quase todas as suas formas, engorda.
O que seguiu a isso, a gente deixa para um próximo capítulo que o remorso não cabe num coração satisfeito.

Um comentário:

  1. E eu aqui só podendo olhar para o ovo que ganhei...vida mto injusta!!!
    Bjo

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)