quarta-feira, 24 de abril de 2013

Dos óculos


Hoje me pus a pensar em coisas simples que me enchem de prazer. Como tirar o salto e colocar um chinelo depois de uma festa. Ou um banho quente depois da chuva. Lamber a latinha de leite condensado. Escutar o telefone tocando e receber um convite para tomar um sorvete. Comer pipoca na praça. Abrir o portão de casa depois de um dia estressante. Um copo de água gelada quando a sede aperta. A gargalhada da mãe na cozinha. Deitar na rede em uma tarde de sábado. Encontrar uma foto antiga. Desabotoar a calça apertada. Fazer xixi quando a bexiga está cheia! Cheiro de casa de vó. Passar um perfume depois do banho. Escovar os dentes quando acordamos. Lavar o rosto e tirar ramela! Sentir o cheiro de café invadindo a casa... Às vezes é preciso ganhar uns óculos de poeta (como aqueles do Quintana) e aprender que o pijama no fim do dia não é só um pijama, mas a representação de tudo o que há de mais prazeroso e confortável na face da terra. 
Desvistam-se do senso comum, sim? Faz bem e não custa nada. 


2 comentários:

  1. Michele, essa postagem é tudo de bom. Tudo tão simples e tão prazeroso, mas muito pouco valorizado, não é?
    Beijos
    Manoel

    ResponderExcluir
  2. que delícia ! pode deixar ! ver a poesia na montanha pálida que vigia a esquina de casa nas manhãs frias de segunda feira vai ser um prazer ! =)

    ResponderExcluir


"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)