quarta-feira, 13 de março de 2013

Pensando e penando

Quando eu tinha 13 anos, fui forçada pela professora de educação física a participar de um concurso de dança no Colégio em que estudava.
Na época, eu era uma menina tímida e retraída. Embora tenha recusado os apelos muitas vezes, acabei cedendo, já que a atividade seria avaliativa e a professora foi taxativa. 
Dias depois, ainda muito chateada com ela, recebi um bilhete. Li muitas vezes e só anos mais tarde foi que compreendi o posicionamento daquela mulher. 
O texto, eu decorei. Dizia mais ou menos assim:
"Às vezes somos colocados à prova e temos que realizar coisas que não é bem o que gostaríamos, como levantar cedo, comer verduras e legumes e tantas outras coisas... Mas saiba que sei distinguir o motivo de quase todas as pessoas, embora, muitas vezes, não possa concordar em voz alta, na presença de todos."

Hoje, fiquei pensando nestas palavras... 
Quantas vezes na vida nós nos submetemos a atividades, trabalhos, relacionamentos ou situações que não nos agradam apenas para satisfazer a vontade dos outros? Certamente muitas. 
Quantas vezes, engolimos sapos e serpentes, porque nos sentimos coibidos a declarar nossa opinião na presença dos demais?
Inúmeras vezes. 
Quantas vezes deixamos de concordar com quem está com a razão para não ofender um terceiro?
Umas tantas.

E assim, de censura em censura, vamos vivendo.
Frustrados, cansados e descrentes. 
Fico pensando como deve ser triste chegar ao final da vida e perceber que vivemos abrindo mão daquilo em que acreditávamos, para viver a crença de outro.
Não quero sentir esta tristeza.
Minha cabeça é meu guia, sim. Prefiro errar, tropeçar e me enganar, do que viver em gaiolas ou em palcos, sendo marionete movimentada por dedos alheios.

2 comentários:

  1. Achei um bilhete infeliz.

    Não acalentou, não motivou e te pressionou.

    Nota zero para a psicologia de boteco dela.

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  2. São muitos sapos que temos que engolir ao longo da vida. Muitos (às vezes a maioria) são inevitáveis. Mas muitos podem ser evitados se nós usarmos o tal do livre arbítrio para escolhermos o que queremos ou não!

    Não achei legal o que sua professora fez e nem gostei do bilhete dela!

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)