quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Uma historinha sentimental


"Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura"
(Villa Lobos)

Acordei e fiquei olhando para aquele rosto ao meu lado. Era tão bonito e estava tão próximo. Os lábios bem desenhados e a pele clarinha, lisinha.
Não sei quanto tempo se passou, mas um vento gelado vindo da veneziana aberta me tirou da contemplação. Lentamente, para não despertá-lo, puxei o lençol e o cobri. 
Ele abriu os olhos e com um ligeiro movimento de lábios, um meio sorriso, balbuciou um sonolento "o que foi?". Respondi que nada, que estava apenas olhando para ele e sorri de volta.
Ele se encolheu e escondeu o rosto entre meu pescoço e meu peito, coisa que faz sempre que sente vergonha.
Fui tomada por uma onda de carinho, uma vontade de dizer a ele o quanto o amo, o quanto aprecio a sua companhia, a sua voz, pele e contato. Mas fiquei encabulada. Medo de parecer piegas demais. Melosa demais. 
Logo ele pegou no sono, com um dos braços por baixo da minha cabeça. Estremeci com uma ideia repentina. Medo de que  daqui a alguns meses ou anos não sintamos o mesmo frenesi ao tocarmos um ao outro ou a mesma alegria ao passear de mãos dadas pelo parque.  
Ele, adivinhando meus pensamentos, abriu os olhos e me beijou a testa, afetuosamente. 
O sono, companheiro dos devaneios, veio logo depois. E eu dormi, desejando estar ao seu lado para sempre. 

6 comentários:

  1. É triste coisas assim não durarem...

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    1. É verdade, Kinha. O afeto deveria ser eterno.

      Um beijo

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  2. que lindo!!!

    (o melhor mesmo é viver
    com coragem um dia de cada vez)

    um beijo

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  3. Que lindo =) a felicidade está nos pequenos momentos de delicadeza e carinho

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)