quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Das surpresas da vida

Já contei aqui que durante muito tempo acreditei que um escritor era uma espécie de deus com poderes especiais. Na minha cabeça,  sujeitos que escreviam, não deviam comer, nem beber, nem dormir. Pagar contas, então?! Bah... isso deveria ser coisa de meros mortais. 
Um escritor não.  Este era uma figura imponente e importante, que deveria ficar reclusa em uma biblioteca gigantesca, com tapete fofo, máquina de escrever e cheiro de café, sem jamais ser incomodado.              Afinal, alguém que criava seres e mundos tão fantásticos, deveria ter algum privilégio. 
Um dia, contudo, me deparei com um escritor de carne, osso e suor. Era o Domingos Pellegrini. Com uma máquina fotográfica e um livro em punho, tentei falar com ele. Queria um retrato e um autógrafo. Não consegui. A fila, gigantesca, impediu que eu me aproximasse. 
Saí chateada. 
Muitos anos se passaram e eu me tornei, numa destas reviravoltas do destino, uma escritora. 
Por ocasião do lançamento do meu segundo livro, escrevi uma crônica contando esta história que hoje reconto a vocês. E resolvi mandá-la, sem nenhuma pretensão, para o Domingos.
Qual foi minha surpresa quando, minutos depois, ele me responde.
Surpresa maior aconteceu hoje, quando recebi em minha casa, como presente, dois livros de poesia devidamente autografados e dedicados, com direito a coração e tudo. 
Felicidade define.



10 comentários:

  1. Hola amiga!

    Que surpresa boa! Imagino como você ficou feliz e mais do que isto, pode certificar-se que um bom escritor é antes de tudo, um admirador eterno do seu leitor.

    Bjs.

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    1. É uma sensação muito agradável, Vitalina.

      :)

      Um abraço

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  2. Que bacana essa surpresa!

    Estou lançando meu livro agora e espero ter uma surpresa dessas viu...

    beijos

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    1. Fiquei emocionada, confesso. Não é sempre que se consegue contactar seus autores prediletos. :)

      Um abraço e sucesso com o livro!

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  3. Que demais, Mi!!
    Imagino como deves estar se sentindo!
    Eu ficaria eufórica!
    Muuuito legal isso!!!
    :D

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    1. Achei educado, gentil e humilde da parte dele.

      Gostei muito.

      :)

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  4. Eu também tinha (tenho!?) essa visão dos escritores. Até que tanto quis ser uma... Mas não, não passei de um ridículo sonho. Falsas ilusões.

    Au revoir,

    Nicera

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    1. Nicera

      Se tem o sonho, não deixe de buscá-lo. Durante muitos anos esperei e lutei para a realização do meu. Não desista. Como diz um ditado popular, normalmente é a última chave do molho que abre a fechadura.

      :)

      Um beijo

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)