domingo, 25 de novembro de 2012

Por que os jovens brasileiros não sabem escrever?


A quantidade de textos invalidados aumentou 168% entre 2009 e 2011, contra um crescimento de 59% no número de redações corrigidas. Culpa de quem? Dos professores? Dos pais? Do Colégio? Do Estado? 


Eu, particularmente, defendo a concepção de que para se produzir um ensino eficaz de leitura e escrita, talvez não seja suficiente uma biblioteca bem aparelhada ou professores com boa fundamentação teórica, mas também programas que valorizem a leitura, profissionais que tenham conhecimento de métodos criativos, que saibam como trabalhar com textos, sejam eles literários ou não, mas que despertem o interesse do aluno. Que conscientizem os estudantes não só do papel da leitura e da escrita, mas de seu papel dentro da sociedade. 

É preciso quebrar o sentido de obrigatoriedade, para que o ato torne-se espontâneo, estimulante e prazeroso. É necessário mostrar aos estudantes que embora a tecnologia tenha proporcionado ao homem outras formas de lazer, nada se compara ao prazer de folhear um livro, saborear um texto, devorar as palavras.

Precisa mostrar-lhes que durante toda a sua trajetória, a educação brasileira foi (e é) destinada a formação de cidadãos alienados que pudessem (e possam) ser dominados por um sistema político predominante. Quanto menos pessoas esclarecidas houver, maior será a possibilidade de manipulação de massa.




E isso, requer um trabalho conjunto. Dos pais, professores e de todos aqueles que buscam garantir as futuras gerações o direito de repensar e agir de forma mais crítica e reflexiva na sociedade.




João Cabral de Melo Neto, sugere uma bela metáfora do processo, em que cada indivíduo faz a sua parte objetivando um bem maior:




Tecendo a Manhã

(João Cabral de Melo Neto)




"Um galo sozinho não tece a manhã: 

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele 

e o lance a outro: de um outro galo 
que apanhe o grito que um galo antes 
e o lance a outro; e de outros galos 
que com muitos outros galos se cruzam 
os fios de sol de seus gritos de galo 
para que a manhã, desde uma tela tênue, 
se vá tecendo, entre todos os galos.”




Mãos à obra, meu povo.



(Michele Pupo pensando, escrevendo e desejando  uma realização de prova consciente aos seus alunos que hoje farão PSS)

2 comentários:

  1. hummmm, citando o João Cabral. Essa é das minhas. Bela escolha de poema.

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  2. Michele,

    obrigada pela visita e pelo comentário querido lá no meu blog.
    Bacana fazer o caminho de volta e descobrir teu espaço tb =)

    Bjs
    Carol.

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)