quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Mais encantamento, por favor!

Há quarenta anos, grupos de teatro do Brasil inteiro se reúnem em minha cidade para o Festival Nacional de Teatro, popularmente conhecido como FENATA.
Acompanhei os espetáculos dos últimos três anos e devo dizer que são maravilhosos, não só pela qualidade do trabalho como também por levar porções generosas de cultura para a população princesina.
Ontem, assisti a LAVADEIRAS DA MEMÓRIA, da COMPANHIA AZENHA DE TEATRO. A peça foi belíssima, com direito a acompanhamento musical doce, feito pelas próprias atrizes que encenavam.
As histórias representadas em pequenos fragmentos, no melhor estilo "fluxo de consciência", mostraram a brutalidade e a delicadeza da vida. A família, a sexualidade, a luta diária para pagar as contas e criar os filhos, a necessidade de sobrevivência e de renascer todos os dias.
Mas o que mais me encantou foi o viés poético assumido pelo criador do enredo. A musicalidade, as flores que se espalham no palco ao final da apresentação, o barulho de água como plano de fundo: tudo fruto de uma doçura típica de poeta.Achei lindo.
Contudo, observei que grande parte do público não entendeu o caráter da exibição. E por não entender, não gostou. 



Saí pensando no Leminski (o Paulo). Certa vez, ele escreveu que "Só poetas podem entender poesia". Ele tinha razão. A poesia precisa existir tanto em quem a recebe quanto em quem a produz.
Infelizmente, isso não acontece. É por isso que livro de poesia não vende. A vida é dura. As pessoas são brutas. O mundo é cinza.
Mas eu não desisto. Continuo escrevendo, vivendo e pensando poeticamente.
Por falar em poesia e em Leminski, na semana passada visitei ,com meu namorado, a exposição "Múltiplo Leminski", no museu Oscar Niemeyer em Curitiba (aberta ao público até março de 2013).
Gostei de ter contato com os cadernos e rabiscos do autor, suas fotos, discos e energia. Recomendo!


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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)