quinta-feira, 8 de novembro de 2012

"Eita vida besta, meu Deus!"

Tenho 27 anos e sou feliz.
Tenho profissão, amigos, família e um amor.
Tenho também, bem à minha frente, uma taça de sorvete com cobertura de chocolate. E, enquanto contemplo extasiada esta montanha doce e cremosa, lembro-me das crianças de rua, dos deficientes físicos, dos órfãos, das viúvas e dos oprimidos. Lembro-me dos meninos cariocas empunhando metralhadoras como se fosse brinquedo e lembro-me dos viciados, dos desempregados, dos infelizes, dos rotos, dos detentos, dos loucos e dos rebentos. 
"Eita vida besta, meu Deus!"
O sorvete derrete na boca.
Tenho 27 anos e sou feliz.
E não deixarei que esta felicidade morra em mim.
Que tenho eu com o desconserto do mundo?
Diga, Drummond: que tenho eu?!
E você me responde, não na linguagem pedra de Itabirano, mas na ternura de quem afaga um filho:

"Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida..."

Carlos Drummond de Andrade


6 comentários:

  1. Em certos dias, melhor deixar o Drummobnd na estante mesmo, rs

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  2. Melhor mesmo é te concentrar por uns instantes no sorvete...

    Linda tarde pra você!!
    Beijinhos!!♥

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  3. E que essa felicidade vire rotina.
    =D

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  4. E que essa felicidade vire rotina.
    =D

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  5. Infelizmente há muito desconcerto, até mesmo perto da gente, mas se formos olhar isso, acaba-se ficando louco de tanto desconcerto que há. Abraços. http://grandeonda.blogspot.com

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)