segunda-feira, 5 de novembro de 2012

De repente, o inferno é aqui



Diante da lousa rebocada de pó de giz, envolta pelo odor asfixiante e desagradável que emana dos corpos da plateia desinteressada, sou tomada de súbito por um sentimento de asco. 

Sonâmbula, prossigo a aula, me sentindo envelhecida e cansada. 
Cansada da alienação adolescente. Cansada da inquietação banal e juvenil. Cansada da figura insuportável daquela menininha pálida e arrogante que ostenta estampada nas calças toda a sua futilidade. Cansada dos reais responsáveis pelo fracasso nos testes educacionais do país. Cansada desta gente que comenta futebol e novela, mas não tem tempo para a tarefa dos filhos. Cansada de remar contra a maré. 

Uma febre repentina me acometeu, pintando meu rosto de cólera vermelho sangue. Senti-me entregue ao suplício dos condenados, às penas eternas, aos tormentos do inferno. 


4 comentários:

  1. rs rs rs Todos nós! Todos nós!
    Um beijo grande

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  2. Sei o q vc quer dizer... minha mae, madrinha foram professoras... minha tia e minha avoh foram cantineiras...

    :/

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  3. Vida de professora não é fácil. Me lembro bem desse sentimento de impotência, como se só eu ligasse pra educação daquela molecada e nnguém mais.
    Calma que depois passa.

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)