segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O tempo que se ganha quando não se tem medo de perdê-lo

Na apostila com marcas de giz, a tarefa do dia: Relato. Teoria desbotada, que não serve para nada. Ladainha. Missa de domingo. Ave-Maria de velha carola.
As crianças remexem-se inquietas ou aperreadas.  Burburinhos, mormaço, aborrecimento.
Olho pela janela e  através das vidraças, um céu azul, um canto de pássaro, uma brisa arrastando folhas secas.
E nós ali, pernas unidas, o livro no colo.
Se a sensação já era sufocante, ficou claustrofóbica.
- Sigam-me, que depois eu explico- convidei em tom amigo.
Juntamos as coisas e fomos nos sentar lá fora, debaixo de uma árvore frondosa, ao som de um sabiá. E então, com voz branda como a calma que nos tomou, comecei a contar-lhes sobre minha infância no quintal florido de meu avô, sobre as férias na praia e os furtos na amoreira da vizinha.
De pronto, outras histórias foram surgindo. A criançada vibrava relembrando as artes vividas por eles mesmos.
Voltei para casa sem ressentimentos na alma. Eles já sabiam na prática o que é um Relato.
Ganhei uma aula.


12 comentários:

  1. Uma boa aula...Adorei e vou aproveitar essa ideia tão prazerosa. Valeu!
    bjinho e boa semana!

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  2. Calor, brisa fresca, paz e nostalgia...
    Foi tudo o que meio à cabeça ao ler.
    Belo relato! Bela aula!
    :)

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  3. Adorava aulas assim... dessas que a gente aprende para além dos livros... hehehe! Bjs, gatona! E manda bala nessa aula de linguistica-gaudéria... hehehehehe!

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    Respostas
    1. Fred

      Saltar o risco de giz e fazer a diferença: às vezes é preciso!

      Beijos

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  4. A Mi vivendo intensamente tudo o que faz! Adorei o relato do relato.
    E o visual está o must!
    Beijo

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)