sábado, 4 de agosto de 2012

Parto-me

Chega um momento em que partir
torna-se imperativo.
Há que se livrar
do cordão umbilical.
Alçar novos vôos,
conhecer novas terras,
percorrer novas rotas.
Chega um momento
em que o ninho
já não é mais o mesmo.
O afago já não existe.
O café não tem mais
o mesmo gosto
o recanto já não agrada.
A vida é tão complicada
e quando a convivência
se faz impertinência
é sinal de que a relação
escapou, rompeu,
implora pela separação.
Estou farta.
Rompo a porta
junto o trapo
quebro o prato
e parto.
Parto (-me).

Pupo, Michele. Meus Devaneios. Página75. 1a. edição. Abril de 2012- Editora Multifoco- Rio de Janeiro 
ISBN: 978-85-7961-811-6


Poema antigo. Desejo atual.

Um comentário:


"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)