sexta-feira, 20 de julho de 2012

"A eternidade: é puro orgasmo."

A timidez com que segurava o membro
e em um jato punha-se rubro e cálido
despertava nela, naquele novembro
um doce e fagueiro fogo apaixonado. 

Sem que esperasses, ela se curvou
em graça, em gozo, em êxtase.
A boca, úmida, ilimitada, tocou
majestosa, a forma ereta, na base. 

Lentamente, languidamente
lambia, lambia, lambia
logo lépida, leve, indecente
despertando gemidos rítmicos.

A boca, o membro, a boca
inteira, inteiro, pluriabertos
cabe, toca, troca, louca
membroca bocamembro.

Ah, o amor impuro, líquido, mudo!
Lambuzado, sugado, até o talo.
O amor lambente de Drummond
recolhido, sugado, no gargalo.

Sêmen, seios, suor
pernas, peitos, pinto
Sim, meu poeta predileto. 
"A eternidade: é puro orgasmo".


Nota: A frase que dá título a este poema é de autoria de Carlos Drummond de Andrade e consta no livro "O amor natural", lançada em 1992 ( o meu predileto).

3 comentários:

  1. MA-RA-VI-LHO-SO!
    Sensual sem ser vulgar!!!

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  2. Desculpe-me a demora em responder as visitas, ainda estou impossibilitado de voltar a rotina anterior. Gostei bastante do desenrolar do seu texto, ficou show. Parabéns, um forte abraço.

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)