quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mil receitas

Dizem-nos o tempo todo: "faça isso e sua vida amorosa irá caminhar", "faça aquilo e seu emprego se tornará melhor", "trate seu cônjuge assim", "vista-se de tal maneira", "pare de fazer tal coisa"... 
Livros de auto-ajuda  pululam e se multiplicam numa velocidade inacreditável. Frases prontas e batidas para que acreditemos que é possível viver eternamente de maneira satisfatória e feliz.
(Eu mesma já escrevi várias...)
Diante deste número espantoso de conselhos, soa ridículo quando nos damos ao luxo de nos entristecer.
É como se houvesse um pacto que nos obrigasse a viver em completa harmonia, não permitindo que nada nos influenciasse. 
Isso mesmo. 
Os Augustos Curys desta terra do nunca às avessas querem que nós mantenhamos um sorriso, mesmo quando tenhamos acabado de perder emprego, que nossa melhor amiga tenha sofrido um grave acidente ou nosso namorado tenha nos trocado por uma loira burra, mas siliconada.
São tantas frases imperativas que, em determinado momento, nos sentimos marionetes de nossa própria existência!
Ninguém cogita a ideia de que a minha ou a sua vida possa ser marcada por experiências, pensamentos ou sentimentos diferentes dos dele.
Somos programados para acreditar nas mesmas coisas e a agir da mesma maneira.
Neste redomoinho de receitas prontas, nesta distribuição gratuita de convicções, acabamos nos perdendo...
Ao invés de usarmos o tempo para efetivamente SERMOS felizes, nós o utilizados para aprender como ser...  Nesta brincadeira, escorrem e derretem os anos como sorvete em dia de verão.
Acredito que no fim das contas, a receita para ser feliz é não acreditar em receitas.
E esta que escrevo, é só mais uma fórmula sem fundamento.




Um comentário:

  1. Poderíamos relaxar e simplesmente viver a vida.
    Ops, mais uma fórumla, rsrs

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)