quinta-feira, 5 de abril de 2012

Amanhã é sempre tarde demais...

Quinta a tarde. Olho para a janela do meu quarto e me perco nos pingos de chuva, que distraídos, esqueceram de escorrer.
Sem querer, coloco a atenção na cortina cor-de-rosa. Depois nas paredes da mesma cor. E me sinto tremendamente mal. Uma completa idiota. 
De quem foi a péssima ideia de pintar o quarto de uma mulher de 27 anos e quase dois metros, com uma tonalidade  tão bizarra e infantil ?
Minha mãe, óbvio.
Por falar nela, queria deixar claro que a amo, muito mais que a qualquer pessoa no mundo. Acho que, sinceramente, é por ela que levo uma vida tão pacata e civilizada.
Tenham certeza que se dependesse de mim, eu não estaria aqui, cercada por estas quatro paredes tão deprimentes. Se eu realmente pudesse mandar em meu nariz, estaria no México fazendo um mestrado sanduíche e depois seguiria, com apenas uma mochila nas costas, sem rumo nem prumo.
Todas as associações que faço com a felicidade tem intima relação com  independência.
Tenho 27 anos e ainda moro com meus pais. Tenho 27 anos e um quarto cor-de-rosa.
Isso é patético. Isso é ridículo!
Para que me serve o diploma na parede, o ostentador título de especialista, dois dignos empregos, uma publicação e um curriculum invejável, se nas tardes de quinta-feira a tarde eu me sinto a última das criaturas, vivendo uma vida que é tão invejável para uns, mas tão deprimente para mim?!
Ontem, me arrumei para sair à noite. Já estava quase no portão quando desisti. Minha estima estava nos pés.
Eu sei que não deveria ser tão ingrata. Já falei muito sobre todas as coisas e pessoas boas que me cercam, mas é que eu não nasci para multidões.
Eu vim ao mundo para amar e ser amada por um pequeno grupo. Sou seletiva. Sou implicante. Sou mimada.
E tudo o que queria neste momento é ter apenas UMA pessoa ao meu lado. Não uma pessoa qualquer, é certo.Mas alguém que fosse capaz de arrancar este sentimento tão dolorido que me faz sentir inferior em relação as outras pessoas. Vivo com a constante sensação de que, independente de onde ou com quem eu esteja, sou sempre a aberração, a diferente, a estranha, a avoada.
Sei que isso não passa de coisa da minha cabeça, mas não consigo dar fim neste sentimento.
Apesar de todas as coisas boas que me tem acontecido, tenho me sentido triste. Muito triste e só.
Queria muito que alguém me amasse. Apesar de. Apesar do que sou. Apesar do que sinto. Apesar do que não sou.
Mas as pessoas andam ocupadas demais para se importarem comigo.


11 comentários:

  1. Acho que todo pensamos assim, eu também me sinto, e apesar de ter sempre alguém comigo, amigos no caso, acho que não é de amigos que queremos dizer, não é? Enfim, eu sinto o mesmo. :( bj

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  2. O problema é viver buscando a própria felicidade nos outros, devemos viver livre leve e souto, mas dentro daquilo que acreditamos, sem interferências e dependências, boa sorte, bjos.

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  3. Esse post me deu vontade de ligar para as livrarias e reservar o seu livro.
    Você escreve como eu. Minhas amigas sempre dizem que amam receber os meus e-mails porque eu escrevo como penso, sem rebuscar as palavras, e elas sentem como se seu estivesse ali do lado, sentada no chão, descalça, conversando como fazíamos aos 17 anos.
    Eu te entendo perfeitamente, embora ache que não tem absolutamente do que se envergonhar.
    Hoje, sair da casa doa pais não é mais o sonho dos filhos maduros. Eu tenho uma prima de 36 anos que mora com os pais, meu irmão de 27 ainda mora com a minha mãe, e eu só saí porque casei, senão aos 30 ainda estaria lá também.
    É bom poder dividir as despesas,dividir as tarefas de casa ter companhia, fazer companhia.
    Sobra mais tempo, sobra mais dinheiro, e a privacidade fica combinada; da porta do quarto para dentro, só com autorização.rsrsrsr
    Sobre a cor, bem... Pinte! É fácil e divertido.
    Eu, como toda geminiana, enjoo rápido de tudo e vivo pintando as paredes de casa.
    Também sou seletiva, detesto multidões, sou implicante e mimada como você e principalmente por isso preciso me sentir bem em casa, onde passo a maior parte do meu tempo livre.
    ( meu comentário rendeu um post!) kkkkkkkk
    Desculpe.
    Beijo!

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  4. apesar de apesar de apesar de (...)

    queria que essas palavras não existissem :S

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  5. Ju

    Bate uma tristeza nos dias de chuva.
    Publico tem, o que falta é gente com qualidade... :/

    Um beijo

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  6. Djalma

    Já percebeu que tudo o que nos rodeia foi feito aos pares? Sol e Lua, dia e noite, homem e mulher, calor e frio... Isso deve fazer algum sentido...

    Um abraço

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  7. Linda


    Obrigado pelo comentário tão pertinente. Costumo dizer que escrevo mais para mim do que para os outros, mas as pessoas se identificam porque no fundo, somos tão iguais...

    Um grande abraço. Fico feliz que goste daquilo que escrevo.

    Um abraço

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  8. Adoro ler teus textos, "és que nem eu"..desculpe, escrevi assim de propósito. Parece que sempre falta algo,não é?
    Pelo que li nesse post, tu tens tudo: uma mãe*... um quarto cor de rosa e uma linda imagem, tu és feliz e não sabes, és bonita escreves deliciosamente; se falta alguém especial espera*...ele vem!
    Olha, quantos casados infelizes q vivem mais sós do que quem vive só, de verdade...como eu;
    Deprê eu entendo, mas passa; pra ti um lindo feriado, de paz no teu coração...domingo de Páscoa feliz ao lado da mãezinha e muitos ovinhos de chocolate que ajuda a passar a deprê.
    Bom, espero q publiques o meu comentário, já tentei e ñ vi ...enfim;
    beijinhos

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  9. Mery

    E sempre falta... mas ainda bem, né?
    Acho que seria muito pior sentir-se completa e ter que transbordar...
    Que bom que gosta.
    Fica com Deus.
    Um beijo

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  10. Eita, que esse doeu! Acho que em algum momento (e pra algumas pessoas em muitos), todos já se sentiram assim.
    Entendo você, e quer saber? Quando vi sua parede e cortina rosas achei de uma personalidade e tanto!
    E sobre os rapazes, não tá fácil pra ninguém. Eu sonhei, casei, divorciei cedinho, voltei pra casa dos meus pais e ainda guardo os sapatos do casamento. rs (rindo pra não chorar)
    Abraço.

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)