terça-feira, 13 de março de 2012

Um bicho com quatro mãos e duas cabeças

Suponho que me entender não seja tarefa das mais fáceis... Possuo a estranha mania de "desfacilitar" tudo a minha volta... Para cada pensamento que tenho, há milhares de outros brotando. É como um estranho formigueiro em que uma criança cutuca e os insetos começam a surgir agitados em desassossego e comichão.Tudo bem, às vezes nem eu me entendo... Tenho outras tantas estranhas manias e consigo "desfacilitar" até as coisas mais simples... Existem mil pensamentos que se misturam, como uma teia tecida pela aranha. Que para pequenos insetos, pequenos pensamentos, pequenas metas. Em direções cruzadas, mas com um único final. Não vejo onde piso, nem para onde olho. Caminho apressadamente... no ritmo descontrolado das ideias. São os passos e compassos de um coração sem controle. Agora mesmo, nem sei se digo o que penso, ou se penso no que digo. Qualquer palavra vale, qualquer palavra me descreve. Muitas palavras falam por mim, mas digo ainda assim,  digo tudo pelo olhar, sem precisar usá-las.Manter meu caos é uma arte, que prego aos quatro ventos. Minha fé e religião. Por falar nisso, há muito tempo não vou à Igreja. Domingos são sempre cinzas, e eu gosto mais dos sábados de sol. Realmente nem me lembro a quanto tempo assisto uma missa, prefiro o meu silêncio e o meu jeito de rezar. Não sei se é o certo, mas posso dizer que é como me sinto bem. Madrugada silenciosa, eu sentado no quintal, olhando para o céu, tentando enxergar Deus. Um Deus sem nome e sem rosto. Sem voz. Como esta gente que luta para ganhar o pão. Para não morrer no escuro do seu estômago vazio. Essa gente que sorri, mesmo só tendo motivos para chorar. Um Deus que é tudo, natureza, ar, pureza, amor...Mas que às vezes cansa. Eu também me perco vez ou outra. Não de fome. Não destas que aparecem no jornal. Estou cansado de buscar por algo que nem eu mesmo sei mais o que é... De trilhar um caminho torto sem saber se o final valerá a pena. A pena que quase sempre seca. Seca a tinta. Seco o corpo. E os pensamentos? Estes não. Estes se reproduzem e nunca morrem por inanição.

LEGENDA:

AZUL= LUCAS
VERMELHO =MICHELE
Pablo Picasso- Reprodução


Texto escrito em parceria com Lucas Luiz (clique no nome para persegui-lo), um moço bonito, inteligente, divertido e criativo, mas , infelizmente, Corinthiano... (risos)
Procuramos na elaboração do post usar a técnica literária conhecida como "fluxo de consciência". 
Esperamos que gostem.


"Escrever em  um fluxo de consciência é como instalar uma câmera na cabeça da personagem, retratando fielmente sua imaginação, seus pensamentos. Como o pensamento, a consciência não é ordenada, o texto-fluxo-de-consciência também não o é. Presente e passado, realidade e desejos, anseios e reminiscências, falas e ações se misturam na narrativa num jorro desarticulado, descontínuo, numa sintaxe caótica"

             

12 comentários:

  1. Nooossa! Vc esta cada dia melhor.
    Texto perfeito.
    Parabéns!

    Beijo

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  2. Sou bem objetiva com questões práticas, do cotidiano. Essas eu resolvo com uma facilidade incrível, já as questões da alma, sou mestre em complicar o que já é um nó.

    Beijocas

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  3. Texto perfeito, só poderia ser de um corinthiano

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  4. Margoh

    Eu e o Luquito aproveitando nossa inspiração conjunta. :)

    Beijos

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  5. Dama

    Eu sou enrolada com tudo... rsrs

    Bjs

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  6. Maela

    Ei, metade do texto é meu!!!! kkkkkkkkk


    Bjs

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  7. Mas que beleza!
    Fiquei fascinada, Mi! Foi uma BELÍSSIMA parceria! Se completaram perfeitamente... Adorei!

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  8. Achei o máximo! Parabéns aos dois!
    Beijinho

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  9. Mi

    Escrevemos em 25 minutos. :)

    Beijos

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  10. Pupo, ficou mara!!!

    Sabe qdo vc lê e parece que foi escrito para vc? Adorei.

    Bjos

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  11. Vanessa

    Eu e o Lucas escrevemos rapidão.O texto foi surgindo com o fluxo dos pensamentos mesmo.

    :)

    Beijos

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)