sábado, 29 de outubro de 2011

Então é Natal...

Não sei o que me dá mais pavor: Carnaval ou Natal. Aliás, pesando bem os dois momentos, ouso afirmar que odeio ambos de paixão.
Odiar de paixão é algo extremamente violento. Ao contrário do que muitos pensam, paixão, do verbo latino  "patior", significa suportar algo difícil, ser tomado por uma emoção patológica e dolorosa. Odiar é detestar, abominar, desprezar. Odiar de paixão, portanto, tem uma força arrasadora, pois se torna duplamente repulsivo. 
Mas como eu ia dizendo, estas duas datas, separadas apenas por dois ou três meses, são torturantes. A começar pela trilha sonora. O compasso de coração desregulado da primeira e o ritmo melancólico da segunda, são um bom motivo para manter em pé o Muro de Berlim do bom senso. A meu ver, todos deveriam ter o direito de posicionar-se do outro lado da fronteira enquanto o Ocidente se pinta de cores berrantes e festejos populares.
Não gosto mesmo. Nunca gostei.
Ou vocês acham congruente alguém passar quarenta dias em abstinência para logo em seguida gozar, sem remorsos, dos prazeres da carne? Ora. Parece-me um desperdício de jejum. Um inconveniente. É mais ou menos como passar a vida alimentando-se de migalhas para acumular bens e no auge do investimento ser saqueado. Imagino quão decepcionado deve ficar o Deus católico. O "crescimento espiritual" tão bem regado  na Quaresma é (i)moralmente massacrado no Carnaval através de nádegas rebolativas.
E o período natalício? Ah... este é o pior... Inimigos de guerra abraçam-se ao som de Simone. Caixinhas com meias, DVD´s e perfumes baratos são trocadas. Objetos que nunca serão usados. Luzes piscantes. Cria-se a falsa esperança de que as pessoas se amam e de que o mundo é lindo. O capitalismo agradece.
Definitivamente, não me agrada o ópio da ignorância.
Estamos em novembro e já sinto pequenas palpitações. É o medo do caos que se aproxima. Vermelho sangue na roupa do protagonista bonachão. Não... não estamos falando do "mestre" religioso. Este, nem sequer é lembrado.
Chamem-me anarquista, prendam-me e punam-me se rebelar-se contra os feriados nacionais for um desacato. Continuarei protestando. Porque meu ódio... ah... este é apaixonado!



Respeite os direitos autorais. Plágio é crime!
Lei 9.610 de 19/02/1998

12 comentários:

  1. Me identifico contigo demais... eu odeio Natal, pois entro em depressão profunda, quando era criança até gostava...
    Coisa de viver só e não ter com quem compartilhar tanta alegria(?) que, no fundo é 'hipocrisia"...
    Adorei esse convite, te amo.Beijo; aproveite o fim de semana, vou à praia.
    Mery*

    ResponderExcluir
  2. Bom dia, querida!

    Hum, sou suspeito pra falar de Natal... Amo mesmo, adoro juntar a família, comprar presentes, encher a casa e comer peru...
    Você sabe mais do que ninguém que pra mim não há nada religioso na data, uso-a mais como fechamento de ciclos...

    Simone realmente é um saco, junto com Jonh Lennon... E ainda tem o Roberto Carlos, o especial da Xuxa e o novo disco da Susan Boyle...

    Carnaval eu odeio deve paixão apaixonada! Acho que 80% do atraso do pais vem disso... Somos tribais, somos um povo que permite suas maiores mulheres nuas na avenida, somos animais no cil e convidamos o resto do planeta para nos agarrar e pegar nossas filhas fáceis... Aceito mais a corrupção do que o fato de pararmos um Brasil todo por 4 ou 5 dias pra ver a bunda da globeleza....

    Saudades de nossas conversas...

    Beijos pra você... E boas compras na 25...hahaha

    ResponderExcluir
  3. Mery

    Acho uma data triste. Sinto-me deprimida. Na minha casa, nunca comemoramos.

    Um beijo e bom FDS
    Também tenho um carinho enorme por você! :)

    ResponderExcluir
  4. Ora, ora... que prazer receber o meu escritor sem publicação preferido!
    Bom vê-lo por aqui, Celso.

    Um abraço

    ResponderExcluir
  5. quanto a folia, me lembro sempre de uma canção da Gal: "me deixem fora dessa euforia de três dias"! Respeito muitíssimo o carnaval enquanto manifestação da cultura popular, mas sou um cara que é avesso a multidões e gosta de música ambiente e ambientes tranquilos. Por isso, podem dizer que estou morto (e saiba: estou muito vivo!), mas ninguém me verá atrás do trio elétrico. Daniela e Ivete, por exemplo, são artistas que eu admiro, mas das baianas, estou mais pra Gal e Bethânia.

    Uma ressalva, no entanto: um dia assistirei ao desfile na Marquês de Sapucaí, pois acho deslumbrante!

    Quanto ao Natal, também estou contigo. Ainda mais porque sou bastante anti-convencional e acho que família não é só papai, mamãe, titia... Além disso acredito que é preciso estar em comunhão o ano inteiro e não só no dia 25 ou 31.

    Em resumo, detesto alegria com dia e hora marcada. Por isso, diga-se de passagem, nem gosto do meu aniversário. Honestamente? Fico feliz no dia seguinte, porque acabou.

    No dia 25, este ano, se eu estiver vivo, estarei a dois e minha ceia se resumirá a vinhos e queijos. Mas nada me impede de fazer isso hoje à noite também.

    No dia 31, outra vez estarei a beira-mar. O que não me impede (não me impediu ontem) de fazer isso sem se estar celebrando coisa alguma em especial. Todos os dias são datas comemorativas, eu penso assim e pratico isso.

    Gostei do texto.

    ResponderExcluir
  6. Marcio

    Quase poderia anexar seu comentário ao meu post. Compartilho da mesma opinião. Enquanto manifestação cultural, são apreciáveis. A partir do momento que passam a ser uma impostura do capitalismo, perdem o brilho.

    Boa semana.
    Um beijo

    ResponderExcluir
  7. Nem NatAL, nem CarnavAL ...
    Nada de al-al ...
    Conclusão: vc não gosta de cachorros!
    rs

    ResponderExcluir
  8. Andre

    Não gosto de nada que é de gosto unânime e popular.
    A unanimidade é sempre duvidosa...rsrs

    Bjs

    ResponderExcluir
  9. Carnaval é pior O.o
    Carnaval é um saco, Natal é mais leve..

    ResponderExcluir


"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)