terça-feira, 23 de agosto de 2011

Das perguntas sem respostas

Como brota uma ideia? De onde vem a inspiração pura e límpida que faz com que a caneta deslise pelo papel com a naturalidade de uma criança que corre e se suja no quintal?
Quem dá vida aos nossos pensamentos mais profundos e de onde saem os monstros que nos povoam? Como abortamos uma angústia? Quais são os pecados passíveis de perdão? Quantas das nossas reflexões são imperfeitas? Quem poderá nos traduzir quando somos estrangeiros para nós mesmos?
Como uma palavra se torna alimento e quem a transforma em veneno? Por que o céu fica plúmbeo quando em nosso coração faz mal tempo? De onde sai a luz que ilumina um sorriso e como uma lágrima fere um olhar? Como a estrada faz-se caminho? Por que o perdido se perdeu? Quem criou o infinito que sinto dentro de mim?
Tenho tantas perguntas... não... o que tenho são buracos! Digo mais: são espaços em branco, incompletudes... 
Sou vazia, mas sinto-me como se estivesse transbordando. Há em mim uma vastidão de terras a serem desbravadas... Cavo-me à procura de não sei exatamente o que. Reviro, remexo e sangro. E quando não há mais nada a extrair, cubro-me e planto-me no chão. De uma forma ou de outra, estou sempre renascendo. Não sou Clarice e nunca serei. Mas há mais dela em mim do que um dia sonhei...

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4 comentários:

  1. Desnecessário dizer que o texto é lindo...parabéns por postar.
    Beijos da Mery.

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  2. Minha querida,vim te agradecer pelo carinho e dizer que estou bem,tá?
    Obrigado mesmo!

    Beijos!

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)