terça-feira, 5 de julho de 2011

(Des)temperos


Por Michele Pupo

Sempre admirei dois tipos de pessoas: as equilibradas e as destemperadas. Aquelas "água-morna", feito tarde de domingo, nunca me cativaram.
Gosto das primeiras, porque parecem estar eternamente prontas, preparadas para qualquer derrapada da vida. São estas que nos aconselham com olhares sábios e palavras de encanto. Acalmam nossas almas aflitas, indicam o caminho, nos dizem sorrindo: "não tem importância", "dá-se um jeito", "a vida continua"... E sabe? Elas nunca erram! Porque por maior que seja a montanha a nossa frente, sempre se pode atravessá-la pelas bordas. E a vida segue, a vida segue... 
Já as destemperadas, são as que provocam, instigam, surpreendem! São aquelas com gostinho de surpresa, que despertam sorrisos, que passam como vento em tardes de sol. 
Ah! Como me encantam estas últimas! Como me é doce, perder-me por exemplo, nas palavras de Clarice Lispector ou Caio Fernando de Abreu. Fico sempre com a sensação de que estes dois, apesar de toda a atribulada existência que tiveram, foram fatalmente felizes, desta felicidade que só quem se permite viver, tem.
Entregar-se ao desconhecido, permitir-se chorar rios numa noite e derramar sorrisos pela manhã, cantar, dançar, rodopiar livremente sem ter quem os controle é o maior presente da vida!
É... amo os sensatos, mas me perco mesmo pelos impulsivos, pelos desbravadores, por aqueles que nada tem a perder.
SENTIR ME EMBRIAGA, ME FAZ GOZAR.
A vida é uma dádiva.

Plágio é crime! Lei 9.610 de 19/02/1998

4 comentários:

  1. Diz que eu sou insensato, diz rsrs

    Bjs no pê!

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  2. Eraldo, seu put... Tenha modos de gente.

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  3. Michele, adorei a crônica.
    Um beijo grande

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  4. Paulo

    Thank you! ;)

    Bom restinho de semana!

    Beijos

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)