domingo, 5 de junho de 2011

Sobre arrebatamento e outras paixões



Não há nada que faça o coração descer a ladeira mais rapidamente do que uma grande paixão (de preferência impossível, que é para ele ir logo tropeçando em pedras, arranhando a pele, descabelando os desprevenidos).
Há quem não aprecie, há quem prefira a calmaria, o sossego, a estabilidade. Mas eu, criatura das trevas, gosto mesmo é das paixões descomunais, daquelas terríveis, que cegam, que enlouquecem.
Deve ser por isso que não sobrevivi ao meu último relacionamento: constante e doce demais para uma criatura como eu.
Sinceramente, não sei se algum dia chegarei a suportar um romance água com açúcar. É evidente que em dias frios, chuvosos e tepeemáticos* (vide glossário), me agrada o conforto de um ninho pacato. Mas amanhecer  e dormir ao lado do Sossego me apavora de uma forma que não sei explicar!
Haverá justificativa para estes arroubos de minha personalidade?
Não sei...
O fato é que penso muito sobre isso.
Aflige-me pensar que talvez chegue um dia em que deseje a paz dos deuses e não possa desfrutar dela!
Atormenta-me a certeza de que posso estar deixando escapar das mãos o grande amor da minha vida, aquele que só porque não foi capaz de arrebatar-me, emburrecer e cegar, eu deixei que se fosse...
Mas afinal, o que significa amar verdadeiramente alguém? E o que importa realmente na vida?
Tenho medo das pessoas que não se deixam levar pelo coração! Desconfio daquelas que se guiam tão somente pela lógica. 
Troco e trocaria mil vezes a tranqüilidade de uma casinha nos cafundós da mata, com a chaminé expelindo fumaça e o cheiro de café no ar, pela violência e entusiasmo de um amor de avião.
Chamo de amor de avião, aqueles que são cheios de empecilhos, quase inconquistáveis, que exigem da gente um esforço maior. Que desgastam, que fazem doer o coração.
Por que?
Não há justificativa.
Mas, apesar disso, eu temo estar matando um amor, tentanto chegar a um outro Amor, com inicial maiúscula, daqueles que se me pedissem para pular de um penhasco, eu pularia.
É errado desejar tudo com intensidade? É pecado querer correr grandes riscos?
E aí? 

PS:
1. Dias tepeemáticos: Dias em que prevalece a TPM.

7 comentários:

  1. Ler este seu texto foi inevitável pensar em um texto da Fernanda Mello (Amar é Punk), que amo muito e hoje posso dizer que compartilho com ela cada palavra. Se quiser conferir vou deixar o link do vídeo onde ela recita o texto inteiro.

    http://www.youtube.com/watch?v=iPSiLpFhFGM

    Beijos pra Ti!

    ResponderExcluir
  2. Maria Rita

    Fui conferir. Realmente as palavras dela são significativas. Talvez se trate disso mesmo, amadurecimento. São fases e um dia passam. E isso é que é o legal da vida! ;)

    Uma boa semana!
    Bjs

    ResponderExcluir
  3. O que seria da vida se não houvesse essas paixões arrebatadoras? Se o mundo fosse extremamente morno, pacato, singelo?
    Já pensou a pasmaceira que seria?
    Compreendo perfeitamente o que expressou no texto e reconheço que esse tipo de sentimento pode até doer, mas é muito mais gostoso de possuir.
    Adorei o post.

    P.S: confesso que sinto saudade do teu bom humor no twitter! =)

    ResponderExcluir
  4. Ah, e ao ler seu texto, um outro me veio à cabeça: A pessoa errada - Luís Fernando Veríssimo. Relacionado diretamente com o que escreveste acima.

    ResponderExcluir
  5. Hoje em dia, tenho amor platônico pela paixão. Eu a quero, mas ela não me quer.

    Bjs, Pê! Eu não tenho TPM, mas te entendo perfeitamente, minha igual.

    ResponderExcluir
  6. Inaí

    Primeiro: quem faz falta no twitter é vc! Volta, nem que seja com um fake, vai! ;)

    Segundo, vou procurar o texto do Veríssimo. Adoro "linkar"!

    Um abraço e desejo de boa semana!

    ResponderExcluir


"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)