terça-feira, 17 de maio de 2011

Um lugar ao sol

A vida é mesmo uma coisa muito louca, frágil e incongruente! 
Quantas vezes, não perdemos noites caminhando pela casa, agarrados a um copo de café, preocupados com  as contas que estão para vencer ou que já venceram,  com o chuveiro que queimou, com o carro que ficou no mecânico e até com aqueles problemas que só baterão na porta pela manhã?!  É fato que se listássemos, certamente seriam muitas as madrugadas insônes, não é mesmo?
No entanto, quais ou quantos destes momentos de aflição e desespero foram capazes de sanar as dificuldades que estávamos enfrentando? Ou melhor, quem foi capaz de superar uma dificuldade quando se deixou vencer pelo desânimo e cansaço?  Poucos, creio eu.
Hoje, conversando com um amigo (Ei! Não disfarça... é com você mesmo que estou falando! rsrs), pus-me a refletir sobre isso. 
Matutando, lembrei de uma obra que li na adolescência e que me marcou profundamente. 
"Um lugar ao sol", de Érico Veríssimo, foi um destes livros que me ajudaram a construir as minhas primeiras impressões sobre aquilo que chamamos de vida.
Lembro-me claramente de todos os personagens e da forma como o autor narra as suas lutas diárias, suas angústias, o sofrimento humano em busca de um pouquinho de paz, o comer-beber-trabalhar-dormir de todos os dias. Mas, recordo-me sobretudo, da lição que Veríssimo busca retratar e transmitir. A mensagem de que todos nós, independente da vida que levamos, merecemos um lugarzinho um sol, um princípio de felicidade, a solidariedade irrestrita, a esperança de uma vida melhor, a amizade e a paixão.
Mesmo que para isso, precisemos "seguir ao acaso, como os barcos antigos, sem bússola nem porto certo, guiados apenas pelas estrelas". 
Sei que diante de uma primeira leitura deste pequeno recorte que fiz, muitos irão dizer que se trata de uma visão amadora da vida e que o autor esteve romantizando o texto. No entanto, aqueles que tiveram a oportunidade de degustar o livro, sabem que Veríssimo foi muito crítico e analisou a sociedade procurando compreendê-la de forma realista e isenta. Ele envolve o leitor e leva-o a refletir sobre o próprio destino, seus encantos e desencantos, sua impotência e pequenez frente à vida, sem que com isso, faça-o desacreditar e perder a esperança de que é possível ser feliz. 
A meu ver, "Um lugar ao sol" deveria ser livro de cabeceira, daqueles a ser lido diariamente, para depositar em nossos corações pitadas de ânimo e coragem. 
Por que a vida é esta... repleta de lombadas. 
Como bem definiu Guimarães Rosa: "O correr da vida embrulha tudo: ela é assim... esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta... O que ela quer da gente é coragem!"





4 comentários:

  1. Mi:

    Bom dia!
    Obrigado pela força e pelo texto!
    Irei ler o livro.

    Beijos!

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  2. Oi Guilherme, fazia tempo que não aparecia hem? Vc faz falta.

    Um abraço

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  3. Anônimo

    Boa noite. Espero que o dia tenha sido melhor.

    Bjs

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)