sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A perereca e os sapos encantados

Ela acreditava em sapos encantados e porque acreditava, eles existiam.
Todas as manhãs eles apareciam, não em cavalos brancos e muito menos exalando amor... Vinham sujos de lama, após passar a noite comendo moscas, baratas e lagartas que haviam encontrado em uma poça qualquer.
Eram desprovidos de qualidade. Ou melhor: desprovidos de qualquer característica ligada à perfeição.
Gostavam de beber, fumar e fazer sexo. Aliás, era sobre este último item que eles mais falavam. Este, era o único assunto que lhes interessava (além de carros e futebol,claro).
Manter um diálogo com algum deles era uma grande missão, pois as respostas SIM, NÃO e HUM eram as  mais inteligentes que eles conseguiam formular.
Andavam em bandos, coçavam as partes baixas e a trocavam por qualquer par de seios que lhes tocasse a ponta das narinas.
Ela sabia de tudo isso.
Tinha consciência também de que um sapo encantado, por mais encantado que esteja, jamais deixará de ser sapo.  Não adianta jogar as tranças, comer maçã ou trocar saliva com o bichinho... ele vai continuar ali, firme no propósito de ser ele mesmo, de ser apenas sapo.



Ela sabia, não se pode negar.
Mas descobriu que não há ninguém melhor do que um sapo, para se entender com uma perereca.



"Quem sabe o príncipe virou um chato que vive dando no meu saco" (Cássia Eller)


PS: Este é um texto de ficção. Qualquer semelhança é mera coincidência. rsrs


3 comentários:

  1. Brejos há e sapos também. Pererecas e petecas, pulando, jogando-se ou sendo jogadas, mas que pertencem ao imaginário dos que habitam a noite dos brejos, mas desconhecem a beleza da lua, que jamais viajaram, de carona, nas estrelas ou nas entrelinhas da poesia.
    Abraço carinhoso!

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  2. Hélcio

    A arte, literária ou não, sempre imita a vida.

    Obrigado pela visita.
    Um abraço e um sorriso!

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)