segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

De como "Teatro do destino" salvou-me o dia

No início deste ano recebi por e-mail a cópia de um livro que ainda não foi publicado e, apesar de ser uma fã de carteirinha dos escritos do autor da mesma e sentir-me lisonjeada por ter acesso em primeira mão, não tive tempo e tranqüilidade suficientes para lê-lo com o apreço merecido.
Porém hoje, mexendo em meus arquivos, encontrei o texto. A tarde chuvosa e a folga tão abençoada foram fatores que me levaram à leitura. Iniciei-a, prazerosamente.
O tom autobiográfico, as escolhas de vocabulário e os recursos utilizados seduziram-me a ponto de não conseguir interromper o ato antes de chegar às páginas finais. 
O escritor e sua história ganharam vida por meio das palavras. Em poucos minutos, senti como se o conhecesse deste o nascimento, embora não saiba nada da vida dele além do que escreve.
Imediatamente lembrei-me de um filme, do qual gostei muito, chamado Coração de Tinta- O livro mágico. Nesta película, as personagens saem das páginas do livro e tornam-se reais, por meio da simples leitura.
Este sentimento de intimidade que se estabelece entre autor/leitor,tão bem apresentado neste filme, sempre me impressionou. Desde muito cedo, tornei-me uma leitora voraz e fiquei conhecida como rata de biblioteca.
Lia (e leio) tudo o que me cai diante dos olhos. 
Na infância, minha brincadeira predileta era imaginar-me na pele das protagonistas das histórias. Esta sensação tão gostosa de participar de aventuras e romances pela simples abertura de um livro perdura até os dias atuais e é a que busco passar para meus alunos.
Hoje, revivendo trechos da minha própria vida por meio da narração sobre a história de vida deste autor,  a minha paixão pelas palavras tornou-se ainda mais avivada. 
Confesso que encerrei a leitura sentindo-me parte dela.
Não creio, de maneira nenhuma, que possa haver no mundo muitas outras atividades mais prazerosas e que provoquem maior deleite do que o encontro com as palavras. 
É uma lástima que poucos saibam disso.

6 comentários:

  1. Michele, mais uma crõnica impecável!
    Um ótimo começo de semana.
    Um grande beijo no coração.

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  2. As palavras me alimentam. Tenho gula por elas. Uma gula que não é pecado. Um prazer ler e ser lida!

    Beijos, flor!

    Uma semana iluminada!

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  3. ahh, vou parar de te mandar meus desastres, rsrs

    Tenho um livro de um grande amigo salvo no pc tb, não li todo...ler no pc cansaaaaaaa
    bjus

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  4. Michele.........

    Hoje passei para lhe agradecer pela companhia, amizade e carinho durante o ano de 2010.
    Foi um ano corrido, nem sempre eu pude lhe visitar para retribuir a altura tudo o que fizeste por mim, mas saibas que em meu coração sempre haverá um cantinho revervado para as pessoas especiais como você é.
    Boas Festas, muita paz, saúde e felicidade e que 2011 seja uma ano REPLETO DE REALIZAÇÕES! Bjs.

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  5. Embora seja daqueles que pensam que a leitura do mundo não está condiocionada apenas aos livros, sei que não há forma de mergulhar mais no mundo real ou fantasioso do que descobrindo boas histórias, seja lendo ou ouvindo do tio lá do interior.

    Bjs!

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  6. As palvras atiçam o que o ser humano tem de mais diferenciado. Como símbolos e fonemas conseguem armazenar os segredos da alma, isso é um mistério.

    Deixo um texto para você, sublime, que muito me toca, de Eduardo Galeano, escritor Uruguai, do qual eu também não conheço muito mais além do fato de que ele é um domador de letras:

    "Na casa das palavras... Chegavam os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: Elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. Os poetas abriam os frascos, provavam as palavras com os dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido"

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)