quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Aqueles olhos que não me saem da lembrança...

Sempre gostei de encontrar beleza em fatos corriqueiros. Gosto de colocar atenção naquelas coisas mínimas e cotidianas que ouvimos, vemos ou falamos e que muitos consideram banais... 
Às vezes, "perco" muitos minutos admirando uma flor em um jardim qualquer ou uma borboleta que cruza  meu caminho. Em outras ocasiões, fico olhando para o chão acompanhando o andar atarefado das formiguinhas em busca do alimento de cada dia ( e não são raros os momentos em que comparo-me com elas).
Hoje, enquanto me dirigia para uma reunião de trabalho, passei por um aglomerado de estudantes que saía alvoroçadamente de uma escola.
O grupo despertou meu interesse. Não pensem vocês que eles eram diferentes das crianças e jovens com os quais passo grande parte do meu dia. Pelo contrário. Mas vistos assim, com outros olhos que não os da professora que sou, eles me fizeram penetrar em túnel saudoso e nostálgico.
 Iam tão felizes e riam tanto e tão despreocupadamente, que senti uma pitada de inveja. Lembrei do período em que a única coisa que tirava meu sono, eram os olhos verdes de um colega de classe. 
Achei tão bonita a cena, que parei do outro lado da rua para admirá-los. Eles, alheios à esta espectadora, seguiram os seus caminhos.
 Bem... nem todos. Um garoto, de mais ou menos 12 anos, ficou ancorado em um ponto de ônibus.Uma das meninas que fazia parte do grupo, notou a ausência do colega. Percebi quando ela voltou e falou alguma coisa para ele. O menino balançou a cabeça negativamente. A garota puxou-o pelo braço como se estivesse implorando para que ele fosse com ela. Ele apontou para o ônibus que se aproximava. Ela fez que ia subir no veículo, mas, constando que o menino não faria o mesmo, pareceu bastante desapontada. 
Outra "pré-adolescente" se aproxima. Ela parece agradecer a Deus pela aparição. Não entra no ônibus.
Conversa com a amiga durante alguns minutos. Esta logo vai embora, deixando-a a sós com o garoto.
Ela parece investir em outro diálogo, porém ele não se mostra interessado. Ela desiste e se vai.
O toque histérico de meu celular me tira dos devaneios. Percebo que estou atrasada para a reunião. 
Também parto. Mas não sem antes passar pelo garoto do ponto. Olho para ele, que também nota minha presença. Instantaneamente, como num passe de mágicas, descubro o porque do encantamento daquela menina por ele. 
São os olhos. 
Os mesmos olhos verdes do meu primeiro amor.
Eu sorrio e sigo meu caminho. 
Talvez ela tenha mais sorte do que eu tive.

5 comentários:

  1. BElOOOOOO(mania de escrever deitado, kkkk) Um beijo no coração!!!!!

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  2. Olá Michele!
    Que bonita história de amor.
    Éssas coisas acontecem, muitas das vezes ver alguem parecido com alguem que nos ficou na memória. Adorei sua história e também aprecio muito os fatos corriqueiros.

    Um beijo e bom fim de semana

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  3. Ah se no meu tempo de escola, por causa dos meus olhos azuis, alguma menina me puxasse pelo braço ao invés de me afastar pelo resto...
    A única lembrança boa mesmo de toda essa época é a falta de preocupação com a vida e os filmes da Sessão da Tarde.

    Ótima percepção do mundo gera ótimos textos :)

    Bjo

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  4. Quando somos crianças nos apaixonamos
    com grande facilidade,
    mas não da forma que encaramos o amor
    na vida adulta...

    Por vezes o amor segue um roteiro
    característico de cada fase da vida.

    Também tive os meus "olhos verdes" delirantes,
    só que eram vermelhos picantes, e não eram olhos, mas cabelos temperados de coloral.
    ....
    (Suspiro)

    Abç

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)