terça-feira, 15 de junho de 2010

Como se ama uma mulher- parte I

O primeiro encontro deles não foi nenhum exemplo de romantismo, destes que vemos em filme.
Não para ela que havia acabado de sair de um outro relacionamento conturbado.
O beijo que deu origem a todos os outros foi seco, mecânico.Simplesmente virou-se, procurou pelos lábios do parceiro e uniu ao seu, interrompendo assim a ladainha dele:
- Tem irmãos?
A pergunta ficou sem resposta. 
Não. Realmente não estava interessada em assuntos como estes. Apenas sentia a necessidade de ser protegida, cuidada, amada. E para isso, acreditava , não era preciso saber quantos irmãos ele ou ela tinham, ou ainda onde trabalhavam, se estudavam ou se sabiam lavar louça.
Naquele instante, a única coisa que importava, era que ao fechar os olhos, alguém estava ali abraçando-a.
E somente para manter esta sensação, ela aceitou o pedido de namoro que veio alguns dias depois.
No entanto, não demorou muito para perceber que aquilo não era o suficiente.
Um relacionamento exige troca e ela, sabia, não estava preparada para isso.
Ele, alheio ao conflito que se passava dentro dela, cumpria com maestria a arte de completá-la. De fazer com que ela se sentisse mais tocável, acessível, humana.
Os dias  se passaram. Vieram os meses.
Nada havia mudado entre eles. A balança do amor continuava desproporcional.
Era injusto. E ao pensar nisso, ela desejava acabar com tudo. Já não era mais possível continuar fingindo.
Não o amo!- dizia como se desejasse convencer a si mesma.
Apesar disso, percebia que devia tratá-lo com carinho. Era o mínimo que podia fazer.
No primeiro aniversário de namoro, ele trouxe presentes, cartões, chocolates.
Ela, a decepção, o medo, a solidão.
Explicou tudo a ele.
Enquanto falava, percebeu que duas lágrimas escorreram dos olhos do jovem. Como atraídas por estas primeiras, uma torrente de seguidoras vieram. Ele não podia conter o choro.
Quando elas finalmente secaram, ele sussurou:
- Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Aquela que deu sentido aos meus dias. Que me apresentou ao amor. Não posso aceitar esta separação. Você é um pedaço de mim e sem ele, não sei o que fazer...por favor...
As lágrimas voltaram.
Sem saber o que fazer, ela saiu correndo. Fugindo dele. Fugindo de si mesma.
Chorou naquela noite.
Chorou nas noites seguintes.
Mas, desligou-se de tudo e todos que pudessem noticiá-la a respeito do sofrimento dele.
Bastava o seu.
Havia machucado alguém que lhe era querido. Alguém, que num passado tinha lhe garantido abrigo, paz.
Isso era imperdoável. Era desumano.

2 comentários:

  1. Hummmm...
    Isso é romântico, né Michele?rs

    Vamo combinar que você tá mesmo me faze chorar, né? Logo essa semana que ando sensível ler uma coisa dessas rsrs

    Mas to gostando (já vi que tem II e III)... vamos aos outros!

    Bjs!

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  2. Eraldo:

    Histórias da vida real. Eu não minto. rsrs
    E você sabe que fico deslumbrada com a sua sensibilidade né? risos

    Beijocas

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)