segunda-feira, 3 de maio de 2010

De repente amor


Meu querido,

Lembro-me do dia em que prometi que no aniversário de um ano de namoro compraríamos um bolo gigantesco para comemorar...
Confesso que enquanto você me olhava apaixonado, pleno de ternura, eu sorria, mas um sorriso incrédulo de quem duvida das próprias palavras.
O primeiro ano passou, tivemos nossos desencontros e o bolo acabou esquecido...

Amanhã, completaremos dois anos juntos. Não comprei o bolo.
Mas o que tenho para te oferecer hoje é muito maior do que eu mesma poderia supor:

"Coração, põe-te a cantar
Canta o poema da primavera em flor
É o amor, o amor chegou
Chegou enfim!"




"Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias..."

Vinícius de Moraes





Te amo.

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)