terça-feira, 18 de maio de 2010

Aquilo que nos separa não deve destruir o que nos une...


Como ser pensante que sou (ou acredito ser), não pude deixar de divagar e refletir sobre duas cenas que presenciei na semana passada.
Antes de descrevê-las, gostaria de tecer algns comentários a respeito da sociedade em que vivemos.
Desde que Hebe Camargo se conhece por gente (ou melhor, desde o surgimento e ascensão do capitalismo, no século XVIII- e perdoem a comparação pobre e a piadinha tosca no quesito "tempo"), temos conhecimento de que as diferenças sociais existem. Sempre houve e sempre haverá homens que se sobresaem e sobresairão da maioria por méritos de trabalho, educação e cultura e também por hábitos de conduta, formando assim uma classe mais elevada e atualmente chamada de classe dominante.
Pois bem. É de conhecimento geral, que as chamadas "classes" são assim conhecidas por formarem um conjunto de pessoas com a mesma função, os mesmos interesses ou a mesma condição numa sociedade.
Dificilmente um grupo, ou classe, une-se com outro em prol de um objetivo comum, já que estão, cada qual, preocupados com seus próprios interesses.
É neste ponto de minhas discussões mentais (Eu versus meu "eu lírico"), que entram as duas cenas da quinta-feira passada.
Como a maioria de vocês devem saber, no dia 13/05 ( na quarta-feira), o time do São Paulo não só jogou na Copa Libertadores, como alcançou a vitória de 0-2 contra o Cruzeiro, em casa.
Obvialmente, este foi o assunto mais abordado no dia seguinte. Inclusive por meus professores do Mestrado.
Um deles, doutor em ciência política e sociologia, dono de um curriculum, uma cultura (e um salário)invejável, e apesar disso (perdoem-me novamente), São Paulino convicto, passou meros vinte minutos da aula comemorando e rememorando o feito.
Apesar do descrédito que atribuí a tal ato (risos), no momento não dei maior atenção.
Mas ao sair da universidade, deparei-me com um senhor de cabelos grisalhos, chinelo de dedo e aparência simplória. Estava vendendo algodão-doce.
Normal, não fosse o fato de estar trajando uma camisa branca, com duas listas horizontais, uma vermelha e outra preta, onde pude ver a seguinte sigla: SPFC.
Meu professor, se estivesse comigo naquele momento, certamente teria abraçado o homem, movido pelo sentimento e fanatismo que explicítamente os uniam.
Sorri intimamente diante deste que foi o pensamento do momento. No entanto, o sorriso sumiu tão logo concluí que apesar deste ponto comum, há entre estes dois homens um abismo social: cruel, implacável e triste.
Abismo este que, através de uma paixão futebolística, pôde, ao menos por alguns minutos, ser esquecido.
E viva a paixão nacional!

3 comentários:

  1. De que valeu ter estudado tanto e ser sãopaulino?

    Mas, enfim, é a vida e assim é o mundo... O esporte une os homens, assim como as guerras unem os povos, as novelas unem as mulheres e o aumento dos aposentados aumenta a venda de amendoim na praça...

    Independente disso, é incrível como pessoas intelectualizadas e educadas percam a cabeça e a compostura quando falam de futebol. Mais gente mata e briga pela bola do que pela mulher de shortinho que deu pro vizinho pintor...

    Por falar nisso, viu o Dunga? Que seleçãozinha, hein?

    Beijoca...

    ResponderExcluir
  2. a propósito: VIU MEU NOVO BLOG???

    ResponderExcluir
  3. Este é o papel do futebol. Aliás, um dos seus papéis. Enriquecer uma minoria e unir as classes. O São Paulo passou bem, infelizmente não passará do meu Internacional. hahahahaha
    Bom texto.

    marcostrauss.blogspot.com/

    ResponderExcluir


"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)