terça-feira, 13 de abril de 2010

Conversa de ônibus (e quando falta inspiração...)


De uns anos para cá, tornei-me uma atenta ouvinte de conversas corriqueiras, destas que se passam em locais públicos tais como paradas de ônibus,filas de bancos, de supermercados... Enfim, em qualquer lugar onde haja um "amontoado" de pessoas que por algum motivo usem de suas tagarelices para passar o tempo. E nada como uma boa fila de espera para propiciar longos diálogos.
Fosse em um passado não muito distante, tais papeações me encheriam de tédio e colocariam meus nervos à flor da pele. No entanto, sabe Deus porque cargas d`água, atualmente as ouço com um prazer íntimo e secreto.
O interessante é que após inúmeras observações e estudos científicos de casos(rsrsrs), cheguei a conclusão de que em sua totalidade, o grupo que mais despeja palavras é o feminino!
Os homens, embora também tenham tal hábito, restrigem suas conversas à temas como futebol, política, tempo e outras coisinhas sem importância. E mesmo assim, suas parolices são curtas e objetivas.
As mulheres, ao contrário, são capazes de em apenas 5 minutos contar sua vida inteira (desde a queda do primeiro dente de leite até a morte do gato de estimação- tudo minuciosamente detalhado, claro!-) para qualquer estranho ou estranha que lhes sorrir na fila do pão.
O engraçado mesmo é quando o alvo (ou interlocutor) das [nossas] palestras são os homens! É justamente estes casos que me tem entretido! Confesso que tenho gargalhado muitíssimo (ainda que intimamente) ao examinar os cômicos discursos...
Afinal, não há como não rir da fisionomia desesperada dos homens e do quase monólogo das mulheres!
Pois bem, hoje ao tomar o ônibus para o trabalho pude presenciar mais uma cena divertida que resolvi compartilhar com vocês:
De um lado do veículo, sentada em um daqueles bancos horrorosos (em que a pessoa fica de costas para outro banco e de frente para o fundo do ônibus)estava uma senhora bem "gordinha" e lá atrás, um moço de uns 26 anos.
A mulher, assim que avistou o jovem, gritou de onde estava:

- Oiiiiiiiiii Silviano (!!!)
O rapaz, sabe-se lá se fingindo ou não, não respondeu ao cumprimento.
- Oiiiiiii Silvianoooooooooo! Tudo bem? (Gritando)
Desta vez, como todos os passageiros se voltaram em sua direção, ele contestou um tímido:
- Oi, tudo bem com a senhora?
- Tudo bem e você? (berrando)
- Tudo bem. (quase inaudível)
- Hãnnnnnnnnn??????
- Tudo bem.
- Hãaaaaaaaaaaaan??? Não entendi filho, fala mais alto!
- Eu disse que estou bem e a senhora? (Berrando também)
- Tudo bem. Tô indo na casa do fulano... sabia né que ele mudou? Pois é... se separou da mulher também. Mas tá melhor agora. Eu é que tô feliz. Comprei um livro que ensina a emagrecer e tô emagrecendo, acredita? (sem dar tempo para que ele respondesse) Cada vez que me dá fome eu tomo um copo de água! kkkkkkkkkkkkkkkkk (gargalhada escandalosa e histérica)... Sabe que você agora tá com cara de homem, Silviano? É... perdeu a carinha de bebê que tinha, agora tá mais bonito. Tá envelhecendo, né? (a risada maléfica novamente)
A esta altura, o moço que já havia mudado de cor uma 30 vezes deu um sorrisinho amarelo e encolheu-se no banco...
Infelizmente não pude contemplar o desfecho da conversa, pois saltei do ônibus logo em seguida. Mas tenho certeza de que se pudesse, o rapaz teria ficado na mesma parada, tamanha a vergonha!

Um comentário:

  1. hahahaha eu tbém adooooooro ficar ouvindo as conversas dos outros. A gente conhece melhor as pessoas, se diverte, se emociona, se irrita junto... é melhor que novela. rsrs

    Adorei o seu canto.

    Beijoca, Michele

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)