segunda-feira, 1 de março de 2010

Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto...


Nem consigo acreditar que hoje é 1o. de março!
Ainda ontem estava reunida com a parentela, agüentando (com trema sim e daí?) os primos chatos e as titias tagarelas, enquanto a tão esperada virada 2009/2010 não acontecia. E caramba! Num abrir e fechar de olhos lá se foram dois preciosos meses.
É certo que foram dias muito bem aproveitados, mas em um ano em que seu horóscopo garante "Sorte, otimismo e confiança!", o que você mais quer é saborear cada segundo.
Por falar em tempo, horóscopo e mês de março, lembrei de outro detalhezinho: esta semana subo mais um degrau na escala de vida terrena. Na verdade nem sei se ainda estou subindo ou se já estou descendo... (Bom, se depender dos recentes estudos científicos que afirmam uma maior expectativa de vida, com sorte - leia-se uma boa alimentação, exercícios físicos diários e nível de estresse 0, coisas que eu desconheço- ainda terei muito o que subir).
Independente disso, o fato é que cheguei aos tão sonhados 25 anos!
Embora isso possa parecer tão pouco para alguns, para mim pesa como se fossem 9 décadas.
Às vezes, tenho a sensação de que já vivi muito mais do que os tais 25 anos. Não sei se isso é reflexo de uma vida profissional, emocional e familiar precoce, mas o que consta é a certeza de que carrego uma vasta experiência nas costas.
De certa forma isso é bom. Não tenho mais,por exemplo,medo de enfrentar determinadas situações. Tampouco fujo dos problemas cotidianos.
Tanta "vivência", gerou aprendizagem. Aprendi que só existe uma reação sensata para as problemáticas da vida:
Se algo tem solução, não preciso me preocupar. Pois de alguma forma isso se resolverá.
Se não tem, não tem e pronto! Por que perder a noite de sono por algo que não tem solução?!
É matemática pura! Raciocínio!
Pior que tem gente que passa os 90 anos de sua vida sem se dar conta disso...
Mas como eu dia dizendo, sofro de velhice precoce.
E o pior: Não transporto apenas a experência que a velhice traz. Carrego também todos aqueles tiques, manias e até dores que atacam os chamados "anciões".
Vou exemplificar:
- Irrito-me facilmente quando alguém masca um chiclete com a boca aberta e em seguida faz uma mega bola com ele;
- Não suporto música alta;
- Tenho pânico de ambientes fechados;
- Durante o período de carnaval, tranco-me dentro de casa e não saio por nada deste mundo;
- Diariamente sinto algum tipo de dor física: cabeça, costelas e até olhos.
- Tenho dificuldade auditiva e falo demasiadamente alto;
- Troco uma noitada com os amigos por um bom livro;
- Fujo de reuniões sociais como casamentos e formaturas;
- Tenho ganas de agarrar os jovens mal-educados que sobem nos transportes coletivos como se fizessem parte de uma boiada em carreira, empurrando as outras pessoas e jogando-se nos bancos;
- Sinto falta de ar quando os mesmos jovens do tópico acima, fecham todas as janelas do ônibus, deixando os vidros embaçados, evidenciando ainda mais aqueles famosos perfumes franceses (suor, cigarro e desodorante barato).

Enfim, poderia seguir com a listagem a noite toda, mas acho desnecessário. Acredito que os exemplos foram suficientes.
O que posso gravar aqui, como consideração final, é o meu medo e preocupação no que diz repeito a minha real velhice. O que será de mim daqui 50, 60 anos?
Ao menos, espero estar consciente para registrar isso tudo quando este tempo chegar e também poder desfrutar da velhice que Séneca tão amavelmente descreveu:

"Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a . Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem. Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos anos, estes ainda reservam prazeres."
Séneca

Um comentário:

  1. Mi!!!!!

    Parabéns! E desculpa pelo atraso! =P

    Adorei seu texto. Não sabia o que comentar e fui atrás de citações que tenho guardadas:

    Sobre a experiência, Aristóteles diz que "a experiência é fruto dos anos" (será!??!); Lucas de Clapiers, "que a experiência é a demonstração das demonstrações"; e Marco Aurélio, que ela é "um troféu composto de todas as que nos feriram" (será que era isso que eu queria achar?!)... Fui espiar também sobre a idade e Hervey Allen vem com essa:
    "Cresce o mais rápido que puderes. Vale a pena"

    Na verdade, vou usar esse crescer no sentido conotativo! Cresça, Mi! Cresça e voe longe!

    O que vai ser de você com 50 anos? Sei lá! =D

    Enfim,

    Desejo-lhe tudo de bom: muita saúde, paz, alegria, sucesso, livros e sabedoria!

    Adorei ter te conhecido!

    Bjoo!

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"Se você me lê será por conta própria e autorrisco." (Clarice Lispector)